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quarta-feira, abril 12, 2006

Os amores perfeitos

Não existe outro céu igual ao meu. Aquele que avisto do meu quintal...horas altas da noite que apetece. As estrelas parece que andam numa constelação inventada ...
Não existem outros amores iguais ao meu. PERFEITOS POR ÑATUREZA , IMPERFEITOS POR DEFINIÇÃO!!!! Amanhã vou para a ilha do farol!!!! Depois conto e reflito sobre o estar e as novidades.
maria Posted by Picasa

segunda-feira, abril 10, 2006

imperfeito amor...

"...é da desigualdade que nasce a harmonia; e é a desordem humana que faz brotar, do nada, tudo o que admiramos"

in, o meu livro de cabeceira Posted by Picasa

terça-feira, abril 04, 2006

"à beira da falésia" .. a aventura interior

"O espírito ergue, durante umas tantas horas, a sua própria estátua. Não pode, contudo, persistir nesta atitude; é-lhe necessário injectar constantemente novas forças. A embriaguez pode aproximar do absoluto, mas só em imagens... basta uma olhadela através da porta"
Ernst Junger
Posted by Picasa maria 0.00 5/4/06

segunda-feira, abril 03, 2006

no caldeirão ...

O meu imaginário infantil, o meu e o de muita gente, acho ... está povoado de caldeirões, onde as bruxas cozinhavam estranhos preparados, que depois usavam ao sabor da imaginação. Tive sempre medo de um dia ir parar ao caldeirão de uma bruxa...e na minha infância no Alentejo, não havia nem televisão nem Harry Potter... o caldeirão também podia ser da fada, da feiticeira boazinha. Passei a infância a cozinhar ideias no caldeirão dos dias e das elementos que me iam sendo fornecidos, a par com os imaginados, os inventados, alguns proibidos.
Depois com o liceu, os livros e o crescer, o caldeirão foi ficando cada vez maior, mais requintado, mais confuso, mais colorido, até que o guardei o mais arrumadinho que soube e pude num cantinho da memória. Ainda hoje vou ao caldeirão, retirar ideias e cores lá depositadas, que tento, nem sempre com sucesso, dissecar ... e pôr ao sol. Enfim...exercícicos plásticos e aplásticos, que às vezes nos cruzam os dias.
Não fui à Finlândia com o Sócrates ... mas fui com outros filósofos famosos. E com o Descartes e o Platão aprendi algumas das cores que se misturam no meu caldeirão. Este caldeirão de bruxa, à séria, não o descobriu o Sócrates na Finlândia, mas descobri-o eu. Num sitio onde no Verão só se chega de barco e no Inverno só se chega de jeep por cima do gelo que gela o Báltico transformando-o em estrada de branco vestida.
É que hoje andei a mergulhar no caldeirão. E concluí (sempre provisoriamente) que me falta vida para arrumar o conteúdo do caldeirão. Que continuo a ter medo das bruxas e a gostar das fadinhas boas. Enquanto não doer muito.
maria
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quarta-feira, março 29, 2006

existirmos a que será que se destina??



deve ser numa floresta como esta que habitam as fadas e a família de duendes que o João conhece.

Passo por lá sempre que posso ... às vezes basta-me querer, outras quero e não consigo. Outras ainda preciso de ajuda, uma mão que me conduza um livro que me transporte, um abraço que seja verde e apertado.
Hoje..sei lá...passeei!

"E éramos olhar-nos intacta a retina, a cajuína, cristalina em teresina"
maria Posted by Picasa

terça-feira, março 28, 2006

lógica


""Encontrei um filósofo no mercado.
"Amigo, disse-lhe, que fazes aqui entre o peixe e as couves?" Ele sorriu-me com um esgar de ironia e respondeu
"Compro axiomas por escamar; peso conceitos em sacos de serrapilheira; ponho sofismas na balança dos grelos..."
E afastou-se ao longo de bancas e de clientes, cambaleando, como se a vida o empurrase até ao canto dos talhos, onde se cortam bifes como os filósofos fazem às ideias"".
Nuno Judice, "Cartografia de Emoções"

maria

domingo, março 26, 2006

Bossa na lezíria

O dia estava chuvoso e triste na Lezíria. Do sol nem sinal, foi preciso inventá-lo. Para isso somos dotados de imaginação e de outras coisas.
Chegaram todos! Os que não chegaram já lá estavam. Na sala havia Bossa por todo o lado, espalhada em folhas de papel pintadas e poemadas. Depois, o resto foi a bossa dos 145 anos da avó e do neto.
Quando a noite chegou, o sol brilhava na Lezíria! Foi bonita a festa, pá! Parabéns Zé!
maria

quarta-feira, março 15, 2006

leituras


O mundo está feito de histórias e magias. São tantas as fontes onde podemos beber, que aos 45 anos, tenho ainda tanta coisa para ler, descobrir, pensar e partilhar, que me começam a doer os "dias a menos pr'a morte".
Tenho um vulcão a verter magma por todos os lados. O vulcão é cónico, o que representa uma coisa fechada e sem saídas, mas ao mesmo tempo uma pirâmide que podemos representar e simbolizar com recurso a axiomas tão diferentes como a escuridão e a luz do dia.
Preciso mesmo é de horas! São-me os dias cada vez mais curtos. São-me as horas cada vez menos horas. E o mundo continua a girar indiferente à minha angústia perante esta realidade incontornável.
Amanhã deve ter nascido a outra túlipa na minha varanda.

domingo, março 12, 2006

domingo


Saí à rua pela tardinha, quase noite. Como deixei de fumar, recuperei uma capacidade olfactiva semi perdida. Cheirava maravilhosamente a lilases numa rua por onde passeei. Voltei atrás...a cidade deserta, e eu subia e descia a rua só para cheirar os lilases. Não consegui vê-los, estavam de certeza escondidos atrás de um muro alto...mas a primavera a bater à porta trás os cheiros da memória.
Que bem me soube este domingo! Amanhã volto ao sitio onde os lilases cheiram bem.
maria

quarta-feira, março 08, 2006

do dia...8 de Março do ano da graça de 2006

Acabou-se o sonho, não o sono, a luz pálida e muito tímida entrava pelas portadas, sempre abertas. Abri os olhos, apeteceu-me fechá-los logo a seguir. Mas não podia! Olhei para o despertador e li ... 7.30h. A custo, desenrosquei-me do edredon, calcei as pantufas e aos tropeções atravessei a casa para ir acordar a minha filha enroscada no seu edredon verde e azul, que me abriu um olho e virou as costas. Ordenei-lhe acordar e levantar, no tom que é humanamente possível a semelhante hora da madrugada. olhei para a janela e percebi uma luz diferente. Tão diferente que era quase de noite. Fui para a cozinha, preparar as laranjas para espremer o sumo para o pequeno almoço, e olhando o relógio, li 6.35H. Era afinal madrugada. Atravessei a casa de novo e fui dizer à minha filha que afinal era mais cedo do que pensava e tinha mais uma quase hora inteira para dormir. Abriu meio olho e sorriu com meia boca...virou a cabeça e ficou-se enroscada no edredon azul e verde. Montada nas pantufas, e arrastando os pés com ar vitorioso, voltei ao calor que ainda permanecia no edredon. Depois, fiquei a ver aclarar o dia e a pensar em milhares de coisas. As 7.30 H chegaram muito rapidamente e as rotinas ritmadas habituais tomaram o seu curso normal. O resto do dia foi muito comigo, estive sozinha no escritório, uma reunião pelo meio da manhã que decorreu sem surpresas, o regresso a casa, o almoço com cortinas brancas e amores perfeitos amarelos ao fundo...e depois a paz de umas horas de quietude fisica e excitação intelectual com um Prof que admiro, colegas bonitos, uma T. especial que é o elo de ligação, num espaço onde efectivamente não pertenço, e onde procuro cumplicidades e paixões. Cheguei a casa mais cedo do era suposto... o Benfica jogava um jogo importante e o Prof. também exausto de um dia tão ou mais longo do que o meu, deu-nos as boas noites e mandou-nos para ... descansar. O chegar mais cedo, obrigou-me a fazer o jantar, que deveria estar pronto ... mas não estava. Mas foi boa a companhia e agora depois da cozinha arrumada, das máquinas a trabalhar que lavam a louça e a roupa que amanhã apanhará o sol pela manhã, da reunião de condomínio, de ouvidas e lidas as mensagens que chegaram a propósito de me chamar Elsa...e com as pálpebras a cair por debaixo das lentes...vim pacificar-me e escrever para mim, a mensagem de comemoração de dia que não quis enviar a ninguém. É que não sei bem o que é isto do Dia da Mulher. Mas seja lá ele o que for...VIVA se for bonito!

terça-feira, março 07, 2006

do tempo


Tenho cada vez menos tempo para vir aqui mandar umas bocas. Divido o dia em bocadinhos, cada vez mais pequeninos. Não funciono sem agenda, não acordo sem despertador, não vejo televisão há semanas, não acordo tarde, não me deito cedo, penso muito e reflito pouco. Tenho as horas armadilhadas e quando tiro as armadilhas, todos os ursos já dormem na floresta. Mas vem aí a Primavera, vai de certeza chegar, cheia de dias claros a crescer. Gosto muito quando a Primavera está para chegar. Preciso muito que ela se instale, para desarmadilhar a floresta e encontrar os ursos que de dia e de noite por ela se soltam.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

toledo

 
 
Viajar é sempre uma boa notícia. Toledo foi uma surpresa de cores, cheiros, arquitecturas, vestígios de tanta gente que por ali passou e viveu noutras épocas e que lá deixaram tantas marcas, transformadas agora em sinais para viajantes acidentais e observadores atentos. É uma cidade aparentemente pálida, amarelecida por um tempo pouco reinventado, mas os sinais que por lá ficaram ajudam a fazer uma viagem interior, transformando assim o turista acidental que sou eu num turista espiritual. Faz bem à alma. Quero lá voltar para aferir da sua aparente palidez conjugada com o espectro de cores, que os sentidos, se atentos, podem observar. Só assim se entende a história, vivendo estórias.
Asta siempre! Posted by Picasa

terça-feira, fevereiro 07, 2006

abstinência

 


esta é a outra metade mim. a metade que deixou de fumar. a metade que chupa pauzinhos de canela e que com isso entretém a boca e as mãos. é a metade de mim que 45 anos depois de ter nascido descobriu que afinal os iogurtes não eram tão "azedos" como sempre me tinha parecido. como-os de todas as cores, marcas e texturas. com pedaços, sem eles, com aromas, sem aromas, biológicos e com E's, enfim....as compensações possíveis em tempos de abstinência.
Mas esta é a metade de mim que não quer tossir mais de manhã, que quer ser mais livre porque náo tem que andar com uma caixa de coisas fumáveis e fumantes atrás, sempre à procura do isqueiro que nunca se encontra. esta é mesmo a outra minha metade.
Obrigada ao João que deixou palavras bonitas escritas a esta metade de mim, daquelas que dão uma força grande. É que nunca quero ser doente do João! Esta metade de mim, não será doente do João!
Obrigada ao Xavier que me contou a história das suas dduas metades! Prometo encerrar por aqui este assunto. Mas os tempos são de pouca inspiração!em>
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quarta-feira, fevereiro 01, 2006

saudades de um cigarro.

 

São dificeis os dias sem cigarros. São como a primavera que se espera ... e que tarda em chegar. Só lá pr'a março, dizem os entendidos. Por mim...a primavera devia ser todos os dias ... as outras estações não me fazem sentido! Posted by Picasa

segunda-feira, janeiro 23, 2006

cadilhos....

 

22 de Janeiro de 2006, dia de eleições presidenciais

do choro, dos cadilhos e do mar

De manhã, fui ver o mar. O mar da Caparica. Ontem, a Verónica, brasileira carioca, dizia-me que o mar era universal e que, de onde quer que ele se olhasse, enchia sempre a alma, no mesmo cantinho e da mesma forma, dependendo do vazio que o olhar do mar iria preencher.

Hoje ainda lembrei-me da minha avó Brita. Lembrei-me da alcofa que transportava debaixo do braço, cheia de molhos de nabiça, rabanetes, coentros e salsa, se calhar, alguns figos embrulhados às meias dúzias, em folhas de figueira, verdes e carnudas, capazes de albergar dentro de si, uma boa meia dúzia de figos maduros e prontos a comer.
Usava um lenço preto que lhe cobria a cabeleira já rala, branca, que enrolava num carrapito atrás na nuca e que prendia com um gancho, que julgo simples. Pelos dias mais invernosos, usava sobre os ombros um xaile de lã, igualmente preto, em forma de triângulo pouco equilátero, que lhe cobria pouco mais do que os ombros e um pouco da parte superior dos braços. Era ela mesma que tricotava os seus xailes, aos quais depois de tricotados, ensarilhava nas pontas mais oblíquas do triângulo pouco equilátero, uma série de cadilhos que lhe ornavam as margens e pendiam sobre os ombros e as costas.

E chorei pelas saudades da minha avó, pelas saudades das árvores do meu quintal, das frutas que via crescer, amadurecer e que depois comia gulosamente, algumas antes de tempo, contra as recomendações dos adultos, que vaticinavam o crescimento de piolhos, a quem comia fruta antes do tempo.

Tornei a chorar, de mansinho, mas com imensa tristeza, quando percebi o não retorno dos números que apareciam na televisão como resultados de um eleição para o mais alto cargo da nação. Mandam as regras democráticas que se aceitem e respeitem os resultados do sufrágio, mas dita-te a minha cultura, a minha vida, os meus acreditares, essas coisas todas de que sou feita, que não me cale. E não me calarei! Como me dizia hoje a minha amiga Lina, “ter medo, mete medo!”.
E sobre este assunto, embargam-se-me as letras, confundem-se-me as vogais e as consoantes e preciso urgentemente de ir à procura de uma pontuação e de uma sintaxe novinha em folha, a estrear como quem percorre um caminho novo.

E hoje é o primeiro dia do resto da minha vida! (se alguém perguntar, eu explico porquê). Posted by Picasa

sexta-feira, janeiro 20, 2006

sábado, janeiro 14, 2006