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segunda-feira, outubro 11, 2010

estória

Ela, Vanessa, Ele, Ricardo ... cresceram juntos num bairro duvidoso no perímetro da cidade grande.
Ela tinha 13 anos, ele tinha 11 e andavam na escola. Começaram o namoro e dois anos depois ela engravida. Constituem família. Ele há-de concluir o 6º ano e ela o 9º. A filha tem agora 17 anos.
Em Outubro do ano passado, ele, Ricardo, bebeu mais do que a sua lucidez suportava e deu-lhe 3 estaladas na cara e uma dentada no braço.
Ela, Vanessa, teve medo, não reconheceu o seu fiel companheiro de infância, de adolescência e de vida. Não reconheceu o seu Ricardo. É pacifica, diz e não aceita a violência sob nenhuma forma, muito menos vinda do seu companheiro.
Chamou a polícia, pediu ajuda aos amigos e saiu de casa levando a filha consigo. Apresentou queixa contra ele por violência doméstica.
Uma semana depois ele telefonou-lhe. Encontraram-se, conversaram, ele pediu-lhe desculpa, disse-lhe para voltar para casa e acertaram a vida a partir daí cada um para seu lado.
Ele foi viver com um amigo e ela regressou com a filha à casa que é dele, por morte de seus avós.
Tinham pedido um empréstimo para fazer obras. Na data dos factos, o empreiteiro tinha-se ido embora, levado o dinheiro consigo e abandonado a obra por concluir. Muito stress, adianta, uma altura má da vida.
As prestações no banco, essas, continuavam e continuam a correr, todos os meses, em dia certo.
Cada um ganha 500.00 euros por mês em trabalhos que não são precários, com categorias profissionais que começam pelo pomposo nome de Assistente ...
Trabalham todos os dias`da semana. Ele entra às 8h da manhã, ela tem horário incerto, trabalha por turnos e por vezes sai muito tarde.
Partilham o empréstimo das obras, cada um paga 200 euros. Ela fica com 300 euros com os quais se sustenta a si e à filha. Ele fica só com 200, porque precisa pagar 100 euros para o quarto onde vive.
Quando a Vanessa sai tarde, ele fica em casa, a fazer companhia à filha, para que não fique de noite sozinha em casa, porque´o bairro é duvidoso.
Quando ela chega a casa, ele termina a sua função de pai vigilante. Umas vezes vai embora, outras, fica a dormir no sofá da sala porque de manhã pega ao trabalho muito cedo. É assim há quase um ano.
São ambos bonitos, educados, civilizados, exprimem-se bem, sorriem quando falam e quem olha para eles acredita que a vida nunca os poderá trair.
Talvez voltem a viver juntos, dizem...
Ele ainda não pensou nisso, embora ache que é isso que vai acontecer, mas por enquanto está muito bem assim. A dar-se um tempo!
Ela, já pensou nisso, também acha que a vida os juntará de novo, mas por enquanto quer ficar assim ... a dar-se um tempo, a dar-lhe um tempo.
Não têm namorados, nem querem.
Querem apenas viver separados e sozinhos, tal como estão.

Ela, insistentemente inquirida sobre casos semelhantes no passado, disse não existirem, nunca terem existido. Que se tinham zangado em 2003 e tinham chamado nomes um ao outro. E que em 20 anos de relacionamento, exisitiam bons e maus momentos, e que achava isso normal. Normal já não achava a bofetada.
Sol e chuva sim, mas bofetada não.

sábado, maio 22, 2010

17 anos de dias horas minutos segundos...




Por necessidade medimos o tempo. Primordial forma de organização, as prateleiras, as gavetas, os sistemas, funcionam para quase tudo.


Há 17 anos atrás também foi uma 6ª feira. Teve sol o dia inteiro, mas o sábado a seguir amanheceu chovendo...aquela chuva de Maio, chata que se farta, que só o aparecimento das primeiras cerejas, vendidas em pacotes de papel manteiga com riscas cinzentas e cor de rosa, contrariava.


De resto, o dia 22 de Maio seria igual a todos os outros dias de todos os meses de Maio. Mas naquele ano não foi. Entre cerejas empacotadas e bagos de chuva, a minha existência mudou.


17 anos de Lígia têm sido o melhor caminho para caminhar...e porque é caminhando que se faz caminho ... ainda temos muito para aprender, ensinar, partilhar, mimar neste caminho bom que é a vida.


Sou uma confessa mãe babada. Descubro neste ser novo a crescer a meu lado, todas as delicias do mundo e pasmo ante as possibilidades ... agora já sem tanto medo ... agora já sem angustias ... acreditando que as possibilidades são o livrinho branco onde as vidas se vão escrevendo.


Continuo a fazer brincos com cerejas e cestinhos dos caraços das ditas ... alegremente!


E quando acabar o tempo das cerejas ... degustarei outros frutos e inventarei outras brincadeiras.


A vida é esta magia! E o sentido da vida, é ser feliz. SER FELIZ!!!! Ouviste, filha???
Parabéns, querida filha


domingo, outubro 18, 2009

35 anos de Bando

dia bonito!

Trouxe azeitonas que vou pôr a medrar ... lá para o almoço de dezembro, prometo levá-las prontas a comer ... assim como quem deixa um passo por cumprir ...

até já
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domingo, outubro 11, 2009

Agora que faço eu da vida sem voçê??


10 de Outubro de 2009.

A Maggy morreu faz hoje 1 ano, o Manel Laranjeira faz hoje 54 anos, o Ricardo foi-se em terras de somalis há 12 anos atrás.


Maggy, não me deixaste a receita do arroz de salmão, não me disseste o numero da cor do teu cabelo pintado, não me ensinaste o exacto movimento da mão que torneava o caracol, não me ensinaste como se ouvia o mar, como se construíam os baldinhos às costas do Ling ...

Mas ensinaste-me uma coisa com a qual ainda ando às voltas. Porque raio me fazes tanta falta? Porque raio a tua au`sência me causa tanta dôr, tanta saudade, tanta vontade de rasgar o ar, e chegar ao céu para ver se te encontro?

Odeio saber de cor datas assim. Já conto duas!!! São dois pedaços de mim que já se foram.

Olha, diz ao Ricardo que a boca torta lhe dava um jeitinho único de ser ... e se o encontrares por esse aí ... que não sei mesmo o que é...divirtam-se. Quando derem por mim ... vamos fazer jogging juntos pela manhã...e rir muito, muito!!!

Ai pedaço de céu ... das palavras sem estado!!!

Boa noitinha Maggy. "hasta la pasta"

segunda-feira, março 16, 2009

dias quentes


gosto destes dias em que apetece andar na cidade.

uma amiga telefonou ... queria partilhar comigo um passeio pelas 8 da noite, o calor na cara ... aquela sensação agradável de que a vida está toda aqui, na primavera que renasce, nos cheiros das flores que fazem esquecer cheiros piores.

gosto da cidade ... de fins de tarde... de gente bonita, de palavras arrumadas com sentido, da minha gente toda e da Primavera que traz anos para o Zé. É um ciclo muitaaa giro!!!!

sexta-feira, novembro 28, 2008

o nome ao contrário

Hoje, 28 de Novembro, a L.A. foi sozinha a um concerto de jazz.
Chove e faz um frio até à alma.
Qual motorista pontual, depositei-a à porta da Culturgest, com a promessa de a resgatar às 11.00H.
Voltei para casa...dar um descanso forçado à motorista.

Sinto um desmedido orgulho ... pelos seus rasgos de independência e por querer fazer mesmo sozinha as coisas que acho que lhe sabem bem.

Sinto que lhe dei asas e que começa a voar ... para onde acha que o caminho é mais bonito!

Estão tão contente com esta filha!

Coisa bonita!!!
Tinha que marcar este dia, a bilros, letras e lacre!

sábado, novembro 15, 2008

o mar ...


tenho sempre tantas coisas para escrever, são tantas que só consigo vivê-las. falta-me mesmo tempo para as escrever. é que gosto de degustar a vida ... de mansinho, de preferência a ver o mar, como me disse hoje a minha mãe "Está um dia lindo, estou no sitio onde tu gostas de estar: ao pé do mar". Que felicidade ter uma mãe assim!!!

quinta-feira, junho 12, 2008

domingo, maio 11, 2008

enganar os dias

que farei depois de ti?

quem me lerá poemas de amor?
quem me embalará os dias?
quem me acordará manhãs sem sol?
quem me abre a janela? já não sou capaz de dormir no escuro!
quem me mima, quem me abraça, a quem beijo?
quem, quem?
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segunda-feira, abril 21, 2008

dias de andarilho


Chegou a casa com as botas esfoladas,
a tinta castanha raspada na biqueira, desenhando arranhões na pele …
A pele dentro das botas esfoladas, gemendo dores como as biqueiras … arranhadas
Sonhos gastos e arranhados, perdidos na película fina da calçada percorrida.
Horas de dias que os dias não têm…
A calçada cinzenta,
As botas esfoladas,
Os pés lá dentro,
Gemendo desenhos,
O sonho arranhado,
Vazio,
Perdido.
Em casa, passou graxa na biqueira arranhada das botas,
Lavou com água os pés gementes para que parassem de gemer,
E escreveu o sonho, esfolado, raspado na parede da sala.

Amanhã nascerá outro dia!

quarta-feira, janeiro 30, 2008

A la recherche du temps perdu


Bruxelas, 5 da tarde! Anoitece depressa, as nuvens correm apressadas e espessas ... quase se adivinha a lua, o dia não deixou ver o sol. Terceiro dia consecutivo sem chuva na cidade. A mancha escura de pessoas desloca-se apressadamente para a gare du midi. Fila para o bilhete! Bilhete na mão...! Zoen van der likt, de vinkt de zeek....qualquer coisa Amsterdam.
Linha 5....
Num labirinto de obras e tapumes, alcançámos um cais minúsculo, onde se lia numa placa com ar de inicio do século "5". Era ali a linha 5.
Subir o comboio com uma mala carregada com 30 kilos, sendo 15 de livros, 4 de chocolates e o restante de miudezas indispensáveis a um qualquer viajante, não é tarefa fácil em horas de ponta por aqueles sítios.
Instalados em bancos rebatíveis e agarrada a duas malas, não fosse o diabo tecê-las...degustei como pude a noite e a paisagem suburbana que corria vagarosa na janela atrás de mim. De repente, apercebi-me que não fazia ideia do sitio onde teria que sair...mas a menina do Van der linkt, de zim, de binkt, deveria dar um qualquer sinal oral quando se aproximasse a estação do aeroporto. Olhei para o relógio constatei quase em pré-pânico que tinham já decorrido os 15 minutos que tinha demorado a mesma viagem quando a tinha feito pela primeira vez, inversamente. De repente, dois jovens casais de namorados que viajavam de pé mesmo ao lado, instalaram-se. Sentados no chão de pernas cruzadas na plataforma do comboio ... confirmaram-me o que não queria. Aquele comboio não era o meu. Olhei para o meu companheiro de viagem, que num torcer de boca e esparregar de olhos, reconfirmou as suspeitas! E o comboio, inexoravelmente, roubou-me todas as esperanças ... desatou a acelarar, qual TGV pela estrada de ferro afora.
Quando pararia??? Vieleicht Amsterdam!!! Gut sehr gut!!!! Eram 6.40 da tarde. o avião só partia às 20.05. Talvez houvesse uma estação milagre no entretanto.
E surgiu a dita! Atrás da janela, um pináculo de catedral iluminado, confirmava-me que aquele não era o meu comboio da linha 5, mas sim outro qualquer que por razões que o van der linkt, zim de vinkt não me tinha deixado perceber.
Saímos...sem saber onde!
Objectivo. Apanhar o comboio ao contrário e voltar rapidamente ao local de partida. Bruxells, gare du midi.
à suivre....
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terça-feira, outubro 09, 2007

Ainda a liberdade



"Só há liberdade a sério, quando houver" !!!


Meses de ausência não me tiraram o mote. Perdi mais o sentido da côr, ganhei mais o sentido do conceito.Uma espécie de roupa nova, num avatar sempre igual.



O Ricardo ganhou hoje uma liberdade que afinal não tinha perdido. Chorei por dentro com tanta "máfortunança" em 23 anos de vida. A confusão mental, a conduta socialmente desajustada, (sem que tenha a pretensão de fazer juízos de valor sobre o ajustado) , a não relação, o desamor, a distância dos pais, o desinvestimemnto em si próprio, a total "manque" de afectos desenbocando em défices vários.

Uma história devida!

Perdi um dia, na minha história de vida, mas ganhei a liberdade do Ricardo!



"Só há liberdade a sério, quando houver..."

P.S. conheci hoje o Ricardo e dicilmente o voltarei algum dia a encontrar.




maria

quarta-feira, abril 25, 2007

sábado, fevereiro 10, 2007

SIM!!!


ando longe das palavras escritas ... aguardo pela primavera limpa de folhas secas e de pingos de chuva.

ando por outros caminhos...

acredito na liberdade e na responsabilidade como pilares basilares da estrutura mental do ser humano.

demito-me dos juízos de valor!

aceito mal a promiscuidade entre os senhores da igreja e a sociedade civil.

a aguardada resposta será sempre frágil mas democrática.

repensarei depois a evolução das mentalidades neste país, incontornavelmente à beira mar plantado.

ando a estudar o sec XIX. talvez me fique por lá ... entre amores proibidos e crimes sem castigo.

maria

domingo, dezembro 31, 2006

o balão verde

Saí de casa cedo, pisando com prazer as folhas que tresmalhavam debaixo dos pés. Estava um frio suportável, daqueles bons que não entram no corpo, só gelam o nariz. Fui à bica, tomei a bica e no regresso, de nariz no ar, o meu olhar cruzou-se com um balão que atravessava a estrada. Um balão verde, vulgar, em formato de balão, de cor verde, verde, sem mais adjectivos e de formato tipico de balão, com um fio pendurado...esvoaçando errante de um lado para o outro da rua. Entrou na árvore, ainda vestida com algumas folhas já muito amareladas, aquelas que ainda não tinham caído no chão para formar o tapete que há bocadinho tinha pisado. O balão verde entrou na árvore, por baixo. Fiz meu o pensamento da Matilde...se o balão sair da árvore por cima, o ano novo correrá bem.
" Se chegar primeiro à curva o Mameck voltará vivo da guerra"
O balão, libertou-se heróico da árvore, subiu por ela e saiu ileso, depois da batalha contra troncos e folhas quase secas, projectando-se de novo livre e solto pela rua. Tornou a atravessá-la e numa batalha serena conseguiu livrar-se dos vidros onde embateu e pelos quais se enredou, contornando o prédio da esquina. Foi às apalpadelas, entre vidro e parede e finalmente libertou-se projectando-se para o céu, com rota pré traçada.
Fiquei imóvel na rua, a seguir o balão com o olhar ... até ele se transformar num ponto pequenino, muito longe, no imenso do céu entre o azul e o cinzento. Fiquei imóvel na rua seguindo a rota até que o ponto pequenino desapareceu.
O Mameck voltará vivo da guerra!!!
2007 será um bom ano novo!

maria

segunda-feira, novembro 27, 2006

amar como a estrada começa


"Entre nós e as palavras há metal fundente

entre nós e as palavras há hélices que andam e podem dar-nos morte,

violar-nos,

tirar do mais fundo de nós o mais útil segredo entre nós e as palavras

.../...


Entre nós e as palavras, os emparedados e entre nós e as palavras, o nosso dever falar"


Mário Cesariny